Quais são as principais alterações?
As novas recomendações introduzem mudanças em quatro aspetos essenciais do crédito habitação:
Taxa de esforço reduzida para 45%
A taxa de esforço recomendada pelo Banco de Portugal passa de
50% para 45%. Isto significa que o conjunto das prestações de crédito de um agregado familiar não deverá ultrapassar 45% do seu rendimento líquido mensal.
O objetivo é garantir que as famílias mantêm uma margem financeira suficiente para suportar outras despesas do dia a dia e responder a imprevistos.
Novos prazos máximos dos empréstimos
Também foram alterados os prazos máximos recomendados para os contratos de crédito habitação:
- Até 40 anos, para mutuários com idade igual ou inferior a 35 anos;
- Até 35 anos, para mutuários com mais de 35 anos.
Esta alteração simplifica as regras anteriormente em vigor e adequa a duração dos contratos ao perfil dos clientes.
Fim do financiamento a 100% para imóveis dos banco
Outra novidade é que os imóveis pertencentes às próprias instituições bancárias deixam de poder beneficiar de financiamento a 100%.
Estes imóveis passam agora a estar sujeitos às mesmas regras de financiamento aplicadas aos restantes imóveis, nomeadamente aos limites do rácio entre o valor do empréstimo e o valor da habitação.
Leasing imobiliário deixa de estar abrangido
Os contratos de locação financeira (leasing imobiliário) deixam de estar incluídos nestas recomendações do Banco de Portugal.
O que muda para quem quer comprar casa?
Na prática, estas alterações poderão reduzir o montante máximo que algumas famílias conseguem financiar.
Com uma taxa de esforço mais baixa, a prestação mensal considerada aceitável pelo banco também diminui, o que poderá traduzir-se num empréstimo de valor inferior.
Por isso, alguns compradores poderão ter de:
- Procurar um imóvel com um valor mais reduzido;
- Dispor de uma entrada inicial mais elevada;
- Ajustar o orçamento disponível para a compra da habitação.
Antes de pedir crédito habitação
Independentemente das novas regras, continua a ser fundamental preparar bem o processo de financiamento. Algumas recomendações importantes incluem:
- Elaborar um orçamento familiar atualizado;
- Calcular a taxa de esforço considerando todos os créditos existentes;
- Comparar propostas de diferentes instituições bancárias;
- Analisar não apenas a prestação mensal, mas também a TAN, TAEG, MTIC, seguros e restantes encargos;
- Simular diferentes cenários, sobretudo em contratos com taxa variável ou mista.
Fonte: Idealista